Segundo o depoimento de pessoas mais antigas da comunidade, o boto que seduz as moças ribeirinhas, é encantado, e nas primeiras horas da noite ainda em cima dos paus das beiradas, de preferência sobre os burutizeiros tombados nas margens, se transforma em pessoa, ou seja, em homem.

Veste sempre roupa branca e aparece nas festas onde procura dançar com as moças mais jovens e mais bonitas. Sai com as mesmas para passear e antes da madrugada pula na água e volta à forma primitiva. As moças com as quais esse homemsai, ficam sempre grávidas, razão por que é tido por pai das crianças de partenidade desconhecida, havendo mesmo o depoimento sincero das mães que o apontam como responsável.

o boto-homem tem um orifício no alto da cabeça, motivo que o leva a aparecer sempre de chapéu, ocultando, o forte cheiro de peixe e o hálito de maresia. Sedutor e fecundador obcecado, o boto sente o odor feminino à grande distância, chegando ao ponto de virar as canoas em que viajam mulheres que não estejam conformes (menstruadas), pois o boto não gosta. Isso sempre a noite, e para evitar que o boto se aproxime, esfrega-se alho na canoa, nas portas das casas e nos lugares que ele gosta de aparecer.

Jornal, Arte Vida, Muratuba

Repórter: Rosivethe Castro Fernandes